Publicado por: lobusdaestepe | maio 7, 2011

Todo maçon deve visitar Tomar- Portugal

Renaissance cloisters of Christ Convent, Tomar

Image via Wikipedia

Convento de Cristo em Tomar foi classificado como patrimônio da humanidade pela UNESCO, desde 1983.

No caso do Convento de Cristo esta classificação baseia-se, sobretudo, na existência do “oratório” dos templários que simboliza o mundo medieval europeu, das cruzadas e da defesa da fé, e na fascinante “janela ocidental” da nave manuelina,(janela manuelina) que é um “resumo” das artes europeia e oriental.

Janela do Capítulo

Imponente conjunto arquitetônico, a Janela da Sala do Capítulo, inserida na fachada ocidental da igreja manuelina, foi executada por Diogo de Arruda, entre 1510 e 1513,s definido pelo rei D. Manuel I.

Símbolo de um período histórico que marca a expansão dos Portugueses para além das suas fronteiras é um dos maiores exemplos da arte manuelina.

O Convento de Cristo abrange uma vasta área de quarenta e cinco hectares, dos quais cinco correspondem ao Castelo Templário e ao Convento de Cristo, sendo a restante a antiga cerca conventual, hoje designada como Mata dos Sete Montes.

Seis séculos de construção correspondem os maiores investimentos e as mais importantes obras, presentes lá mais do que em qualquer outro conjunto edificado em Portugal.

A construção do Castelo foi  iniciada em 1160, é um tipo de   arquitetura militar, onde se destacam a torre de menagem na alcaçova e a muralha exterior com alambor e construção da Charola templária.

Charola

A Charola do Convento de Cristo é um dos mais extraordinários exemplos da arquitetura templária e pertence à campanha de obras românica e gótica, dos séculos XII e XIII.

Trata-se de um edifício poligonal, com oito faces no tambor central, desdobradas em dezesseis faces no exterior, que pretende reproduzir idênticos edifícios de planta centralizada, conhecidos dos templários e inspirados na Igreja do Santo Sepulcro de Jerusalém.

Concluída no século XII, possuía porta a nascente que se manteve em funcionamento até à reforma manuelina.

Esta orientação viria a ser alterada na campanha manuelina do início do séc. XVI, dando lugar à abertura do extraordinário arco triunfal, a poente e à execução do portal sul, nova entrada da igreja da autoria de João de Castilho, concluído em 1515.

A decoração,com motivos  figurativos e vegetalistas  tem  forte simbolismo.

A pintura sobre madeira, atribuída a Jorge Afonso, representa cenas da vida de Cristo

As esculturas em madeira policromada, representam profetas e santos da Igreja e são da autoria de Olivier de Gant e Fernão de Muñoz.

Destes mesmos autores seria, também, o Cadeiral do Coro, infelizmente destruído e posteriormente substituído por um outro proveniente da igreja de Santa Joana, em Lisboa.

Durante o reinado de D. Manuel I  temos  a Sala do Capítulo (1510-1515).

No reinado seguinte, D. João III houve  a reforma da Ordem de Cristo, efetuada por Frei Antonio de Lisboa, originando uma congregação de clausura, segundo a Regra de São Bento (1529), ocorrendo  ampliações do conjunto monástico

 

A Ordem de Cristo

Nasce em Portugal a 14 de Março de 1319, pelo Papa João XXII.

A nova ordem foi designada por  Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo, e para ela se transferiram todos os bens e privilégios da extinta Ordem dos Templários.

A Ordem de Cristo segue, como no tempo dos Templários, a regra de Cister, o seu hábito é muito semelhante, branco com a cruz de Cristo, e o abade de Alcobaça continua a ser o seu mentor espiritual e visitador.

Após a criação da Ordem de Cristo, mantém-se a subordinação ao Rei, sendo necessária a sua aprovação para todos os actos de administração, alienação de bens, alteração de costumes, destituição de freires ou mesmo de comendadores.

Os antigos Templários, que não tinham optado pela integração em outra Ordem, tiveram um prazo de três meses para se apresentarem em Castro Marim, sede da nova Ordem. Contudo, por falta de acomodações em Castro de Marim, rapidamente a Ordem passou, primeiro para Castelo Branco e depois para Tomar.

A partir de 1322 a Ordem já está em Tomar.

Em 1421, em Capitulo reunido em Tomar, foi adptada a Regra da Ordem de Calatrava, para resolver a dependência, espiritual e de obediência, relativamente a Cister, ao mesmo tempo que mantinha os frades de Cristo como monges cavaleiros.

A Ordem de Cristo foi um instrumento ao serviço da epopeia dos Descobrimentos Portugueses nos séculos XV e XVI, pois a sua missão, tal como o Infante D. Henrique,  “o Navegador”,  marcou a história de Portugal e o seu lugar no mundo.

Sob o reinado de D. Manuel I, com a riqueza que o movimento dos Descobrimentos trouxe a Portugal, o Convento de Cristo beneficiou de importantes obras com destaque para a magnífica decoração da charola e a sua ampliação e transformação na extraordinária igreja conventual que, ainda hoje, apreciamos.

Simbólica

Os mitos próprios da cavalaria, sobretudo durante a época Templária, são particularmente visíveis nos vestígios que nos chegaram e na história que conhecemos, do Castelo de Tomar e da Charola.

A reforma de D. João III introduz no Convento de Cristo a simbólica do Renascimento, aglutinando temas próprios da mística cristã com mitos herdados da Antiguidade Clássica.

No final do séc. XI a Palestina vivia uma situação de caos e anarquia que tornava as peregrinações aos lugares santos muito perigosas.

Os peregrinos e outros viajantes enfrentavam caminhos infestados de bandidos que, não só roubavam, como matavam os que se aventuravam nestas viagens.

Urbano II convocou a Cristandade para defender Jerusalém, iniciando assim as Cruzadas do mundo ocidental em território do Oriente.
É neste processo que, em 1118, um grupo de nove cavaleiros cruzados decide “abandonar as coisas do mundo” e jura dedicar-se à protecção dos peregrinos pelos caminhos da Terra Santa.

O seu mestre fundador, foi um cavaleiro da Borgonha, Hugo de Payens que, auxiliado pelo Rei Balduíno II da Palestina e por S. Bernardo de Claraval, obteve do Papa o estatuto de Ordem religiosa e militar para si e seus companheiros, que passaram a designar-se por “Pobres Cavaleiros de Cristo”.

Foi no terraço do Templo de Salomão, em Jerusalém, que tiveram a sua primeira sede.

Este local era, na verdade, a Mesquita de Omar transformada em igreja cristã pelos cruzados, a qual, passou mais tarde a designar-se por Templo da Rocha. Foi assim que os Pobres Cavaleiros de Cristo passaram a ser conhecidos como Cavaleiros do Templo de Salomão ou apenas, Cavaleiros Templários.

Para angariarem fundos para a sua causa, estes cavaleiros nomearam alguns dos seus irmãos como procuradores da sua ordem na Europa, entre eles o próprio Hugo de Payens e, assim, iniciaram um movimento de cavalaria religiosa extraordinariamente poderoso, quer militarmente, quer em bens e privilégios, na dependência directa e exclusiva, do Papa.
A sua missão durou cerca de 200 anos, período durante o qual a Palestina esteve sob o domínio dos cruzados e o poder dos Templários cresceu graças à sua disciplina militar e a uma organização logística eficaz e inovadora.

A queda de Jerusalém em 1291, marca o início da trágica história dos Templários que, perseguidos por Filipe IV de França, num processo iniciado em 13 de Outubro de 1307, confirmado pela bula de Clemente V, , de 22 de Março de 1312, determina a extinção da Ordem do Templo.

Este processo dura cerca de sete anos e termina com a morte na fogueira do último mestre templário, Jacques de Molay.


Em Portugal, por razões de Estado, e porque na Península Ibérica a ocupação muçulmana prevalecia, D. Dinis não acata as ordens do Papa e, pelo contrário, cria a Ordem de Cristo para a qual transitarão os bens e os cavaleiros da extinta Ordem.

Festa dos Tabuleiros.  acontece de quatro em quatro anos no mês  de junho e julho na cidade de Tomar.

COMO IR A TOMAR:- Trem, carro ou ônibus

 Tomar fica a mais ou menos duas horas de trem, a partir da estação Santa Apolonia em Lisboa e há partidas praticamente de hora em hora.

O bilhete  sai por volta de €8,25.

De carro, pela autoestrada A1, leva um pouco mais de uma hora e  de ônibus,  aproximadamente duas horas, com saídas pela manhã, tarde e noite.

QUANTO TEMPO FICAR EM TOMAR:-As atrações turísticas da cidade podem ser vistas em um dia  ou fazer  um bate-e-volta como fizemos.

Se estiver em Lisboa, tem que sair bem cedo, ficará  bem puxado.

Hotéis em TOMAR:-  Hotel dos Templários, quatro estrelas, Estalagem de Santa Iria,  Residencial União e Luz,Residencial Trovador, Residencial Cavaleiros de Cristo, Residencial Luanda.

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Responses

  1. Vendo este templo, me encho de orgulho em pertencer a ordem!

    A propósito, minha filha este aí nesta data, 16/05/2012

    TFA.

    • Tomar é encantadora e este templo teve um significado muito especial para mim.
      Quando o visitei fiquei recordando de meu irmão que com 32 anos alçançou o grau 33º, sendo um dos mais jovens do Brasil na época.
      Obrigada pela visita no blog!

    • Visitei Tomar em 01.05.2011. e subir esta colina a pé com chuva, e chegar lá em cima e me deparar com esta obra magnifica,foi muito especial, realmente cresce meu respeito pela Ordem, e me sinto feliz por ser mais obreiro. Depois de lá, a pé , para Santiago de Compostela, um objetivo realizado e conquistado. Tomar ficará para sempre na minha lembrança. Já estou com saudade. Segue meu T.F.A.
      João Jacinto- Porto Alegre-RS-BRASIL

      • Olá João!
        Parabéns pela disposição de subir a colina á pé e ainda ir até Santiago de Compostela!!
        Eu também fui nos dois lugares, mas de carro… se bem que em Santiago tivemos que parar o carro a “trocentos km” de distância da Catedral e fomos à pé, embaixo de chuva, chegamos lá encharcados, mas felizes:)
        Tomar é lindo, ainda mais para maçon…


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